London baby #1

Dia 10 de Setembro de 2015 o meu maior sonho tornou-se realidade. 

Fiz um primeiro teste no dia anterior que deu positivo,  mas achamos melhor repetir. 
Foi uma felicidade enorme! 

Se há coisa que sinto, e é das poucas coisas que tenho a certeza absoluta, é que fui posta nesta terra para ser Mãe. 

Já estávamos a tentar há uns meses. Tínhamos oficialmente decidido no início do ano que íamos começar a tentar, mas foi só quando descontraímos (eu principalmente), que tudo acabou por acontecer. Os primeiros meses são sempre um bocado custosos, porque se fazes o teste e o resultado é negativo, começa a refletir-se no teu estado de espírito. Passa um mês, passam dois, e a partir daí já ficas a achar que alguma coisa está errada. Fui ao médico de família, que disse que estava tudo ok. Com o apoio de algumas apps, e ‘peace of mind’, a coisa acaba por acontecer naturalmente. E assim foi!

Posso dizer que tive uma gravidez santa, apesar de achar que as gravidezes deveriam ser de 7 meses e não 9 meses. 

Os primeiros 3/4 meses andas calminha porque queres que fique tudo no sítio. Em termos de enjoos não tive, apenas falta de apetite. E também não lidei muito bem com o ter de ter cuidado com a comida por causa da toxoplasmose. Por isso acabei por não comer muito, e perdi uns 3 ou 4kg. Mas de resto passei bem, estava radiante! E a nossa família ainda mais. Vinha o primeiro neto/a da família do D. e da minha. Os nossos pais estavam num excitamento. 

Cá no Reino Unido, o apoio/acompanhamento é feito entre as parteiras e o médico de família. Sempre muito descontraídos, às vezes até parecia demais, para pais de primeira viagem, em que não sabemos muito bem o que deve ou não deve acontecer. Mas essa descontração acaba por te dar alguma confiança, e assim vivi uma gravidez pacata. Na minha primeira consulta com a médica de família falei-lhe da toxoplasmose, e a primeira coisa que ela me perguntou foi se ia estar em contacto com gatos e raposas. Obviamente não, por isso ela disse para relaxar, e manter os cuidados mínimos de lavar a comida antes de comer ou cozinhar. 

“Happy mummy, happy baby”. Ficou registado. E acho que fui muito boa a seguir o lema. 

Foi a partir daí que relaxei e comecei a comer normalmente. Claro que não comi sushi (para infelicidade minha), os legumes e as frutas ficavam de molho antes de comer (sem qualquer tipo de produtos – não acho que seja preciso), e claro as carnes e peixe eram bem cozinhados. De resto, mantive os meus hábitos alimentares. Deixei de fumar no dia em que soube que estava grávida sem nenhuma recaída. 

A primeira ecografia foi uma confirmação de que tinha mesmo um pequeno ser a crescer dentro de mim. A técnica ria-se e ria-se porque queria fazer medições e não conseguia de tão irrequieto que era este pequeno ser. Ainda não sentia nada na altura. Foi só mais para a frente. 

Isso sim, é o melhor sentimento de sempre. Sentires o movimento, “responder-te” quando falas, dás toques, pões música… é indescritível. Amei!! A quantidade de vídeos que tenho da minha barriga a mexer sozinha é ridícula. Mas adoro ir revendo!

Na segunda eco (às 21 semanas se não estou em erro), em Dezembro, foi quando soubemos o sexo. 

O D. veio comigo porque seria um dia importante. Mal a técnica pôs o ultrassom na minha barriga e deu umas voltas, percebi logo que era uma rapariga, mas esperei que ela o dissesse. E até à data estava convencidíssima que ia ser um rapaz. Mas fiquei feliz à mesma. Com direito a lágrima e tudo. 

Ia ser um ano de miúdas. Só na família, vinham mais 3. Nem falo de amigas que estavam grávidas ao mesmo tempo, porque eram mais que às mães. E a maioria a ter raparigas. Sortudos dos rapazes. 

Em Janeiro fiz a minha última viagem a Lisboa antes do parto. Foi uma semana de mimos, que soube muito bem. Custou-me um bocado viver esta gravidez à distância da família. 

Final de Fevereiro tirei o meu mês de férias e comecei logo a licença de maternidade. Com o tipo de trabalho que tenho, e principalmente na loja onde estava, eu estava a ficar muito cansada. Obviamente todas as pessoas são diferentes, há quem aguente mais e quem aguente menos. Eu fui-me embora na altura certa. 

Chegou a altura de ter de fazer o plano para o parto. Passar para o papel como queremos que tudo corra. Obviamente que não é linear porque tudo pode mudar num abrir e fechar de olhos. Mas fiquei um bocado confusa… não sabia o que planear, se queria parto natural, ou nao, dentro de água ou fora… as perguntas eram tantas, que não sabia no que pensar. Por isso mandei mensagens a família para pedir opinião. Na expectativa de receber uma partilha de experiências. 

Acabei por planear tudo, ‘keeping it simple’. Sou a favor das drogas, porque sendo um momento único, é para ser vivido sem dores se faz favor. Queria o D. ao pé de mim, e ele é que deveria escolher se queria cortar o cordão umbilical. Incialmente não  sentiu essa necessidade, mas depois com um empurrão da anestesista, ele lá foi. Acima de tudo, o que queríamos era que tanto eu como a nossa princesa estivessemos bem. 

Chega a parte de organizar as vindas/estadias dos avós. Eu, com pais separados, tornava a logística mais difícil. Mas lá se organizou. Foi à vez. Viria a minha mãe na semana em que estava previsto o parto. A minha irmã que estava a estudar em Londres também se juntou por uns dias. Depois vinha a minha madrasta por uma semana e o meu pai juntava-se no fim de semana. E por fim os meus sogros e a minha cunhada. Parece confusão mas foi uma ajuda santa. 

Os dois meses que estive em casa foi descanso puro, organizar roupas, mala para a maternidade, tudo. ‘Nesting’ a 100%. Mas o desconforto aumentava, e as noites, pouco dormidas por falta de posição. Tinha de comer 3 bifes cada vez que me queria virar, e dormir de barriga era impossível, porque simplesmente não respirava. Já para nao dizer que esta menina ou tinha soluços ou dava-lhe a genica toda. Digo isto tipo Mãe babada, apesar de ter sido chato. Dava por mim a “zangar-me” com ela por causa dos pontapés. 

O último mês vives a contar os segundos, e a pensar para ti que não fazia mal nenhum se o bebe nascesse mais cedo. Então na semana em que o partoestá  previsto, só rezas para que não passe dessa semana. É um misto de ansiedade, excitamento, curiosidade, cansaço. 

As contrações começaram dia 4, e a nossa gorda nasceu dia 5 de Maio. What a day! Conto tudo noutro post. 

E a vossa história, como foi?

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s